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Across The Universe



A vida é o que você faz dela, somos o que queremos ser. Algumas coisas em perfeito estado, outras faltando aquele pedacinho, aquele tão simbólico e concomitantemente significativo. Mesmo assim, eu decido perceber que ainda o dia lá fora se apresente cinzento eu só consigo enxergar my vanilla sky. Acordei transbordando de sensibilidade (e por que não dizer FELICIDADE?) toda em caixa alta.

*Jai guru deva...om

Sem fim...




Tão desesperador quanto acordar e não vê-la ao seu lado, era olhar o horizonte e se deparar com um mar de incertezas. O tempo é passado e este o consumia. Queria ouvir o trincar de suas chaves ao abrir a porta e sentir seu cheiro numa gélida noite de primavera. Um engodo, obviamente ela estava lá, nos móveis, lençóis, cores das paredes, em tudo o que via e sentia. Ansiava apenas por sentir o suave toque de suas mãos acariciando meus cabelos, aliviando o pesar de seu longo dia com o aroma de seu beijo e leve tocar percorrendo seu corpo.
Estava neste labirinto buscando qualquer sonoridade que lhe trouxesse sua voz, ou a lembrança desta. Rumo à casa de suas idéias, à espera de uma que o levasse ao encontro dela antes do previsto.
Tinha apenas uma certeza, de que a conhecia antes mesmo de encontrá-la e isso não poderia se perder. Dentro dele havia uma vontade gritante de um encontro imediato, embora naquele momento não parecesse possível. Procurou refúgio em suas lembranças, em livros, sons, nas cores que possivelmente o remeteriam a imagem daquele doce rosto.
Talvez todos aqueles pensamentos lhe parecessem piegas, mas há modo de não o ser quando sua alma está tão inundada de sentimentos? Deitado a vislumbrar o que a vista de sua cama lhe permitia, um teto branco, conseguia visualizar a imagem dela nitidamente, enxergava as luzes e tons que o levaram ao seu encontro. Por um minuto fechou os olhos e sentiu uma lágrima percorrer sua face, percebeu-se tão próximo dela naquele momento, tal qual como dia em que suas vidas se reencontraram, definitivamente estavam no destino um do outro.
O que fazer com a geografia que os distanciam? Esta resposta permanecia ali, muda, como uma lacuna do tempo, o tempo que os separa, talvez este seja por vezes seu melhor conselheiro... Estava por fim, certo de que não havia ninguém entre eles, nenhuma das pessoas com as quais pudessem se deliciar nas noites seria capaz de se infiltrar no espaço que pertencia apenas aqueles dois corpos tão distantes e próximos ao mesmo tempo. Tinha mais uma certeza, a de que seu conto não possuía um final, ao menos não por hora, ainda restavam muitos parágrafos a serem escritos, e serão.

*I look from the wings at the play you are staging…

Let it be...



Às vezes me falta inspiração. Não, não só às vezes, escrever para mim, não é nada fácil.
Em verdade é uma atividade altamente penosa. Escrevo por tentar transpor o que às vezes nem consigo identificar em mim. E vou assim, começando ‘numa’ linha e vendo no que vai dar, aonde chegará. Ontem lia sobre maldade.
Alguns diriam que esta não existe, que é obra de ‘uma’ outra entidade (não palpável). Eu diria que essa afirmação é apenas uma tentativa de justificar certas atitudes humanas, tal como personificação, ou coisa parecida. Não creio no dizem alguns filósofos, custo a acreditar no homem essencialmente mal, esta afirmativa me diz que o ser humano não é passível a mudança, e dizer isso, significa afirmar que eu mesma não sou capaz desta. Mas ao olhar para trás eu percebo o quanto mudei – não só umas por algumas rugas –.
Mudar é amadurecer, é olhar através do que as coisas lhe parecem, é vislumbrar nas pessoas o que você pode agregar delas ou não. É não ser previsível, esqueça previsibilidade, você sabe das alterações pelas quais a vida, as situações, as pessoas e até você mesmo que influenciaram sua “transfiguração” e pronto.
Esqueça de provar quem você é, a menos que você não saiba disto. Daí, se não souber, mergulhe bem fundo no seu ‘eu’ desconhecido e vá desvendando por si só, nunca deixe que te digam que não é grande, certamente és maior -muito mais- do que possam sonhar as mentes céticas e enxergar os olhos vendados.


"What do you see when you turn out the light?

...I high by with a little help from my friends..."
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