Abrigo do vento
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Lágrimas negras
Tantas eu num só...
Tantas mulheres fortes, fracas, novas, velhas.
Histéricas, sensatas, doidas cheias de recato, loucas de desejo.
Um intenso ano.
Dores, salvação, amargura, amor.
Cores invadiram a vida formando expressões enigmáticas do que seria o hoje.
Sentada no canto da sala a menina se isola, olha seus sapatos vermelhos, aqueles que outrora escandalizavam a todos.
Às voltas com o vazio das paredes brancas de sua sala, um sentimento indescritível se apodera de seu coração, perde a fala -fica muda.
A confusão que toma posse das idéias não acalenta nem afaga, desespera.
Sentada vê a vida passar com insatisfação.
Não há respostas para os dias. O vento se recolhe em hera.
Por quantas ruas tontas rodopiaria ao encontro do mar?
A dança
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Isolation
É a angústia que sufoca
Velha ou nova. O nó
Se faz presente.
Um grito preso na garganta,
Choro contido, tristeza.
Uma dor muda e suplicante.
Suplica por paz, serenidade, vida.
O corpo exausto da luta, conflitos internos e externos
Um verme que invade as idéias e as fazem ficar perdidas.
Claridade, onde andará?
Existirá um espaço capaz de encaixar este corpo?
As feridas calam e segue a dança.
É primavera...
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Shiny happy people holding hands
Queria ser escritora, escrever sobre vidas, quem sabe uma forma de viver
outras histórias que não fossem sua. Ou tomar a vida de seus personagens e
viver contos de felicidade. Uma praga a perseguia, talvez, não conseguia seguir
muito além com linhas felizes, já as tristes eram quase como cuspir palavras,
dizem que a escrita é escapar da vida.
Um dia, levantou-se ainda com as dores de ontem, tomou um papel e
decidiu escrever sobre verdade. Fazia muito calor, já era tarde. O sol
cintilava, mas pensava em escrever sobre a escuridão, não sobre a escuridão dos
dias, é claro, mas a escuridão que acomete os corpos vez ou outra. Seria capaz
de ser clara em seu intento?
Buscou clareza na escuridão dos corpos, haveria de se contentar com
aquilo, seguir além e dar vida a sua. De repente viu cores de primavera, com
ressalvas. Sabe bem, haverão dias em que as cores fugirão, mas espera
refazer-se como outrora e encontrar novas de viver.
Caixas vazias
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Ficção; Drama; Joy Division; Bowie
Hobbit, que criaturas adoráveis são os Hobbits.
Um passo dado, para outro começar.
Ela que vaga por entre as idéias, sente falta.
Serão dias e dias da saudade.
Mas deixar ir é saber.
Diz que nada mudou
Mas onde está você? Nos móveis, nos lençóis, nos porta-trecos?
Mudo, calado, incólume na caixa das lembranças de outrora, sempre,
que nem sempre serão para sempre.
Um dia irá rever-te,
quando estiver pronta.
Até lá!
Enfim o fim.
Ela falava demais e dizia,
dizia não gostar de viver.
Fazia graça de tudo e
cantava para enganar a morte.
Mas ela ardilosa, um dia há de vir buscá-la.
Neste dia fechará os olhos e verá as luzes que tanto busca.
Sentirá o cheiro doce no ar, a grama verde a tocar os pés.
Tudo se tornará claro e poderá libertar-se das amarguras, enfim.
'Cause everybody cries
And everybody hurts, sometimes.
O vento
Não morreria por você. Mas o sentimento fica aqui, comigo, calado.
Às vezes passa, outras não.
Alguns dias são fáceis, outros mais dificeis, mas estamos vivos. O que entristece talvez seja a separação, ou o corte. Sim, o corte.
A arrancou dele como a um câncer, fez metros e metros de boas histórias irem com o vento.
Nada ficou.
Talvez as memórias, como carne viva. Tão vivas que sente cortar a alma, às vezes.
Mas passa, como o vento, como tudo que é alheio, que não é nosso.
E o coração cansado, da vida exausto, mas há vida. Nele, nela - ambos.
Separados.
Ele dela foge, ela deixa ir
como o vento - que passou.
Somewhere Over the Rainbow
São coisas que eu digo para não magoar,
meu momento é quando quero.
Faço a minha hora,
mas as vezes ela não dança no mesmo compasso que a sua.
Mas sendo eu mesma incapaz de verbalizar, escrevo.
Escrevo para me despir das inverdades.
E no meio da noite um abraço,
na cabeça dela um outro nó.
Chora para os olhos de ardósia,
(aqueles para que lança verdades, dor, sofrimento)
Súplicas de serenidade.
"Subamos além, subamos!"
Que num outro mundo nos encontremos,
hoje com lágrimas nos olhos (enfim lágrimas),
dorme bem e espera.
Espera o dia em que o infante virá.
E então desperta do sonho viverá a realidade
com sabores de morango e cores de tinta fresca.
São pequenos escritos confusos, são doces palavras confusas,
são lágrimas - não dor.
Algumas coisas são inquebráveis, outras não.
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