O vento
Não morreria por você. Mas o sentimento fica aqui, comigo, calado.
Às vezes passa, outras não.
Alguns dias são fáceis, outros mais dificeis, mas estamos vivos. O que entristece talvez seja a separação, ou o corte. Sim, o corte.
A arrancou dele como a um câncer, fez metros e metros de boas histórias irem com o vento.
Nada ficou.
Talvez as memórias, como carne viva. Tão vivas que sente cortar a alma, às vezes.
Mas passa, como o vento, como tudo que é alheio, que não é nosso.
E o coração cansado, da vida exausto, mas há vida. Nele, nela - ambos.
Separados.
Ele dela foge, ela deixa ir
como o vento - que passou.
Somewhere Over the Rainbow
São coisas que eu digo para não magoar,
meu momento é quando quero.
Faço a minha hora,
mas as vezes ela não dança no mesmo compasso que a sua.
Mas sendo eu mesma incapaz de verbalizar, escrevo.
Escrevo para me despir das inverdades.
E no meio da noite um abraço,
na cabeça dela um outro nó.
Chora para os olhos de ardósia,
(aqueles para que lança verdades, dor, sofrimento)
Súplicas de serenidade.
"Subamos além, subamos!"
Que num outro mundo nos encontremos,
hoje com lágrimas nos olhos (enfim lágrimas),
dorme bem e espera.
Espera o dia em que o infante virá.
E então desperta do sonho viverá a realidade
com sabores de morango e cores de tinta fresca.
São pequenos escritos confusos, são doces palavras confusas,
são lágrimas - não dor.
Algumas coisas são inquebráveis, outras não.
Adeus você
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Chá de morango; Caminhadas na praia; Abraços.
É o cheiro que impregna o travesseiro.
É voltar pra casa sozinha,
São garrafas vazias cheias de lembranças.
É a saudade que ficou,
o vazio que deixou.
Das marcas ao peso
- E se eu pedisse pra ser leve, você seria?
- E se ainda numa tentativa quase nula eu te contasse uma triste história, adiantaria?
minha triste história.
(Silêncio. Não há banda)
Era um diálogo? Não, era um monólogo. Certamente era um monólogo.
E as coisas (sentimentos) iam ganhando novos espaços agora, iam para aquela caixinha onde se guardam as lembranças, as doces.
Quer chorar, mas não consegue. Respira, respeita, sente raiva de si por ser incapaz de travar a luta.
É amor. Alguém duvidaria?
O sentimento mais egoísta e generoso.
Enfim, numa noite qualquer sem querer mais ninguém a moça avista o rapaz de sotaque engraçado, pele esqualida e música latente. E ele? Será que a vê?
Talvez, mas a distancia está ali. Ela sente, mas ignora. A magica cega as pessoas.
E foi levando, dançando e correndo com o barco.
Chorando ele confessa: Te amo, mas não.
E ela?
Quer chorar mas não consegue.
Feridas estancadas, lágrimas cauterizadas.
Há certeza do amor, existe e é forte. Mas como reter o pássaro em sua gaiola?
Seria o egoísmo.
Do amor, guarda ainda a generosidade (como trava lingua).
Também te amo.
Dandelion
Marcadores:
Silêncio
Ela queria viver na terra da fantasia.
Descansar.
Quem já trilhou caminhos de pedra - como ela - entenderia. Mas não quer explicar.
Deitar, dormir, sonhar.
Sonhos aos quais todos teem direito de ter como realidade. Afinal, é a vida só amargor?
Acredita que não. A vida pode ser leve, mas hoje lhe parece tão pesada.
O dia está cinza, mas é possível tentar enxergar verde luminoso além das sombras dos olhos. Por hora silencia a angústia na tentativa de acalmar a alma. E há tantos Pessoas em sua tarde, sua cabeça é bagunça, mas já conhece o labirinto, o Fauno foi seu guia.
Saberá reencontrar a saída.
Saberá reencontrar a saída.
18 de Maio
Marcadores:
Carpet Flowers,
Joy Division
Numa noite agitada, atordoada ela percebe alguém.
E parecia que já se conheciam de outrora, tão longe, tão perto.
A distância foi interrompida, por um curto período, imortalizado pelos mais singelos olhares.
Tinha um talento natural para a alquimia,
fazia mágica em tudo que tocava. Mesclou sons e cores, vinhos e cravinhos.
Tinha um cheiro doce, uma pele suave. Uma certa fragilidade fortalecedora.
E o seu abraço continha amor, aquele que completa.
E para onde vão agora?
Sempre souberam.
Marcadores:
João Cabral de Melo Neto
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O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
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